Mukweristas na incerteza quanto ao abastecimento da quadra festiva


Adversidades causadas pelo covid-19, falta de uma articulação entre o ministério do Comercio e Industria quanto à importação dos produtos imprescindíveis para as festividades são apontados, pelo Presidente da associação dos Mukweristas Sudécar Novela, como

sendo as causas que poderão contribuir para um possível fracasso do melhor abastecimento da quadra festiva que se avizinha.

Segundo Novela, a preparação da quadra festiva por ocasião do Dia da Família e Final de Ano tem sido acompanhada por reuniões realizadas entre o Ministério do Comercio e as

diversas associações econômicas importadoras de bens para se definirem as melhores estratégias a serem seguidas quanto ao abastecimento do momento. Isto tem sido realizado durante os meses de Novembro e princípios de Dezembro com vista a programar o que importar tendo em conta o que a produção nacional poderá oferecer.

Neste ano, talvez devido à pandemia da covid-19 a situação tem se caracterizado por um silêncio das autoridades, o que de certa forma surpreende a direcção da associação dos Mukweristas cuja função é importar bens de consumo para abastecer o mercado nacional. Este silêncio não só surpreende aos importadores como também ao nosso jornal quando ao abordar, o sector ligado aos preparativos da quadra festiva, na Direcção do Comércio e Indústria da cidade de Maputo, tendo nos afirmado que apesar de ter os dados sobre os preparativos não poderia adiantar nada porque tudo dependia do

respectivo director.

Mesmo falando na incerteza, o nosso interlocutor, disse esperar que melhores desenvolvimento possam advir com o tempo, dado que até ao início das celebrações da quadra festiva do Natal e Final do Ano ainda haver cerca de um mês pela frente. A pandemia da COVID-19 “veio mexer com tudo e todos na medida em que transformou este ano num atípico, pois as atividades da sua associação foram gravemente afectadas como as das demais instituições desde o mês do Março em que se decretou o Estado de

Emergência no país. O movimento transfronteiriço transformou-se, ou seja, tornou se muito difícil pois não se podia ou não se pode sair na normalidade habitual”, disse a fonte acrescentado que a circulação dos “carros pequenos como mini-buses e carrinhas de cinco toneladas não podiam transpor a fronteira. Isto é, todos aqueles importadores que dependia da região de Komattport” na África do Sul, “foram afectados. E também o sector

produtivo na África do Sul também foi afectado pois lá também foi decretado o estado de emergência”, disse.

Nestas circunstâncias da covid-19, houve uma altura em que a travessia de pessoas, na fronteira, foi interdita e, no caso dos importadores só podia atravessar uma única pessoa, que na maioria dos casos, tinha que ser o motorista da carrinha que ia trazer os produtos. “Este foi um mau momento para nós porque muitos importadores caíram no negócio. Por exemplo, aqueles importadores que faziam as suas importações a partir de Komattport

tinham que passar a trabalhar em conjunto. Isto é, juntavam o dinheiro e entregavam-no a um único motorista para ir fazer compras. Vezes sem conta acontecia que os motoristas por verem muito dinheiro, de uma só vez, em vez de fazer o devido movimento de compras, desapareciam com o valor. E isto aconteceu por várias vezes o que constrangeu o negócio de vários nossos colegas pois para além de alguns fugirem com o dinheiro também não tinham o domínio do negócio pois lá no terreno, em certas ocasiões, é preciso ter certas

alternativas que só o importador é podia fazer. Havia vezes em que os motoristas chegados lá optavam por certas compras sem consultar o dono das mercadorias e traziam produtos que não tinham clientes. Para sairmos desta tivemos que trabalhar muito para que se passasse a se credenciar mais uma pessoa, neste tipo de deslocações, que é o caso do dono do negócio”, disse Sudécar Novela.


Reabertura das Fronteiras marcada com dificuldades


Contudo, a reabertura das fronteiras com a África do Sul apesar de ter sido um marco que veio agudizar as expectativas dos importadores- mukwerista, quanto ao desempenho das suas actividades, por outro lado trouxe outra dificuldade no concernente à emissão do certificado do teste da covid-19 “por causa do seu custo. Tem que se pagar seis mil rands para se obter um certificado para 72 horas de sua duração. Isto é só para pouco tempo para depois ter que se ter mais um outro montante para um novo teste. Neste caso, a única solução tem que ser o teste móvel do lado da África do Sul cujo resultado obtém-se

em 15 minutos e com uma validade de 14 dias e ao preço de 15 rands” - cerca de 700 meticais. No âmbito do abrandamento das medidas de emergência para o nosso

interlocutor aponta, ainda não se vislumbrar a melhoria do negócio dos seus associados que somam cerca de 2580 membros encartados.

“Isto está, cada vez mais, a piorar o nosso negócio. É só imaginar o que vai acontecer no próximo mês que é de muita procura. A situação com este movimento complicado de aquisição do teste e que leva muito tempo para a sua obtenção podemos não ter os produtos como se pretenderá para satisfazer a demanda. Haverá problemas para a movimentação dos camiões que trarão comida. Nos anos anteriores estes tinham prioridade. Neste momento, para estes terem prioridade na fronteira os policias

cobram dinheiro extra. Isto é corrupção”, denunciou

Novela adiantando que, regra geral, durante o mês de Dezembro, cria-se uma condição, na zona do aeroporto de Komattport, de os camiões que transportam comida se juntarem no mesmo local onde se faz a sua tramitação de modo a não parar na fronteira. Esperamos que assim se procedam durante a quadra festiva”, disse a nossa fonte refletindo na incerteza, na medida do silencio prevalecente das autoridades comerciais do pais quando à

organização do abastecimento durante a quadra festiva que se vizinha.

“Conforme se sabe, o ano é atípico. O governo ainda não está a dizer nada. Por estas alturas, noutros anos, estar-se-ia a se fazer contactos para se organizar a vinda de

produtos. Ainda não definimos a quota para as importações porque fala-se que o país poderá ter produtos suficientes. Ouvimos dizer que teremos que não importar o frango porque a produção nacional é suficiente não só para a quadra festiva mas para todo o ano, o que seria bom. Já é bom porque as importações servem para

colmatar a falta. Quero acreditar que o país tenha produtos suficientes para abastecera a quadra festiva porque ainda não houve nenhum encontro para o governo se pronunciar sobre o assunto. Nós só estamos a saber através dos mídia, o governo a dizer que o país está em condições de providenciar os produtos sem contar com as

importações”, disse.


Situação actual do mercado


Todavia, o presidente da associação dos mukwerista acredita que no presente momento está boa porque o mercado grossista da cidade de Maputo tem quase tudo nomeadamente a batata, cebola, couve entre outros produtos ainda importados da África do sul. “Temos

ainda os mesmos produtos de produção nacional provenientes de Vilnkulo, Moamba, Matutuine entre outras regiões. Temos de acreditar nos pronunciamentos das autoridades e sabermos esperar até prova contrário”, disse o Mukwerista que ainda acredita que a dependência do país em relação ao outros não á agradável. “É preciso

criarmos condições. Isto é, termos capacidade para resolvermos os nossos problemas”. (PpP)

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